Confissões de um Farol Solitário - Crônica - Adriana Rá
Confissões de um Farol Solitário
Crônica - Adriana Rá
Ser um farol é solitário. Só eu e o vento, contando as ondas,
sem saber se alguém realmente precisa da minha luz.
Alguns vivem cercados por turistas e se sentem celebridades.
Eu, nem isso tenho. Melhor seria ser uma lanterna, sempre por perto,
iluminando aventuras, explorando cavernas ou guiando passos no escuro.
Ser uma vela também deve ser divertido.
Especialmente a de aniversário, cercada por sorrisos no seu breve momento de glória.
Sem falar nas sombras engraçadas que dançam nas paredes.
Até um abajur teria mais emoção, acompanhando alguém que lê um livro cheio de mistérios.
Mas eu? Fui me tornar justamente um farol. Largado no meio do nada, na escuridão da noite.
E as pombas! Nem me fale. Você imagina o que elas fazem na minha cabeça?
Ao menos não sou um farol de carro ou de trânsito, estressado na cidade grande. Isso eu reconheço.
E teve aquele dia que... Jonas chegou até mim, arrasado:
— Graças a Deus, você me salvou!
Fiquei até emocionado, porque sei que ele falou no sentido literal e não no figurado.
Mas a minha alegria durou pouco, logo ele largou uns entulhos nos meus pés e foi embora.
Que falta de educação! Nem uma foto tirou, nem um agradecimento disse. Injusto.
O que me consola é a lua. Sempre ali, solitária no céu,
sem reclamar quando as nuvens escondem sua beleza.
Apenas brilha, mesmo quando ninguém a nota.
"Oi, Lua. Te vejo sempre aí. Resolvi me apresentar... Prazer, eu sou o Farol."
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