Body Positive é Positivo? Os cuidados da autoaceitação.


Sempre fui fã de pessoas que pensam fora da caixinha, daqueles que são o que são independente da regras da sociedade, aqueles que desafiam o sistema. Sabe? Tipo os que tatuam o corpo inteiro, os homens que vestem o que querem vestir mesmo que seja uma roupa considerada feminina, também daqueles que se tornam personagens na vida real.
Nunca consegui fazer algo apenas porque o sistema é assim, apenas tomo meus cuidados, pois como vivemos em sociedade, sei que posso precisar dela, principalmente na parte profissional. Infelizmente neste setor há muito preconceito e a aparência muitas vezes vem primeiro do que as habilidades. Se não fosse isso eu teria tatuagem até na testa, rsrs.

ATENÇÃO: O QUE VOU CONTAR AQUI É APENAS MINHA EXPERIÊNCIA E OPINIÃO!

Dentro destas pessoas que vivem fora da caixinha também conheci a linha do “Body Positive”, que se baseia na aceitação do próprio corpo, independente de não estar nas exigências da mídia e da sociedade. Isso que acho maravilhoso! Acho muito legal aquelas mulheres que sabem que todos os corpos são corpos de praia! Confesso que não tenho tanta autoestima assim, mas admiro quem tem.

O “Body Positive” não inclui apenas pessoas que estão acima do peso como vemos muito por aí nas redes sociais, mas sim todas as diferenças que nos fazem humanos, como as manchas na pele, as cicatrizes, a magreza, as pessoas muito altas e muito baixas. Afinal, não fomos feitos em formas industriais, certo?

Considero isso muito libertador e é muito bom que seja divulgado para que aos poucos as pessoas se conscientizem de que somos reais, não usamos photoshop e nem somos modelos. Mas infelizmente a realidade social é um pouco complicada e gostaria de compartilhar um pouco do que passei.


Desde uns 8 anos comecei a engordar e aos 13 foi meu auge, já pesava uns 90 quilos, daí parei de me pesar de vergonha da balança. Foi uma das piores épocas da minha vida, pois passava por inúmeros bullyings e esses tipo de termo nem era conhecido, nem a tal “gordofobia”.



*Infelizmente não tenho fotos de quando eu pesava 90 quilos.

Era difícil, inclusive, nunca consegui esquecer do dia em que o professor de educação física pesou os alunos e eu disse que não queria ser pesada, pois pensava que os alunos iriam zombar de mim. O professor respondeu:

— Se está incomodada emagreça!

E com todo o constrangimento fui me pesar, e para minha surpresa neste dia o bullying só veio da parte do professor mesmo, pois até os alunos se sentiram penalizados com a forma áspera que ele falou comigo. Só para constar, eu tinha uns 13 anos e 90 quilos nesta ocasião.

Outra situação muito marcante foi quando fui procurar um emprego por volta dos 16. Uma amiga havia me indicado e quando cheguei lá para falar com a dona do estabelecimento, ela olhou para mim e disse:

— Mas é para você???

As palavras foram poucas, mas o olhar de rejeição foi imenso enquanto ela me media dos pés até os fios do cabelo. Foi um olhar que dizia que eu não tinha corpo para trabalhar ali, e olha que era uma lojinha bem simples.


Isso tudo sem contar a quantidade de vezes que ouvi quando eu era criança: “— Quando crescer emagrece!” Eu como criança não me preocupava com isso e nem entendia porque as pessoas me diziam isso.

Bom, eu poderia escrever inúmeras páginas contando os bullyings que já passei devido a gordofobia, mas o que vim aqui compartilhar é o cuidado que devemos ter com a autoaceitação.

Apesar de ser muito bonito a pessoa se aceitar como é e ter consciência de que os padrões da TV são absurdos e desumanos, precisamos nos conhecer bem e saber se estamos mesmo bem assim.

No meu caso eu não estava nada bem.

Eu passava por uma compulsão alimentar terrível, já cheguei até a desmaiar de tanto comer, pois não conseguia parar de comer até acabar com tudo o que tivesse na minha frente. E para agravar a situação, a minha família por falta de orientação me agradava dando mais comida ainda. Eles viam o quanto eu gostava de doces e então me davam mais e mais, ou invés de perceber os malefícios que isso me causava.

Por tudo isso que para mim, particularmente, a obesidade sempre foi um sinal de transtorno emocional profundo, não era uma coisa que eu poderia romantizar e dizer: “— Sou assim e me aceito! Tenho que me amar como sou!”

Acho essas frases perigosas se usadas sem discernimento. Acredito sim que devemos nos aceitar como somos e trabalhar nosso ser, nossas emoções e nossa vida no geral para melhorar o que está em desiquilíbrio. Isso em prol da nossa saúde, autoestima, bem-estar e afins, não é para agradar a sociedade.

Hoje em dia tenho 35 anos e 63 quilos, nunca serei dentro do padrão da sociedade, até porque tenho quadril e coxas grandes, e isso sempre dá a impressão de que sou gordinha, inclusive uso números grandes na parte de baixo, sendo que uso pequeno em cima. Mas como meu rosto já está magro vou me manter assim.

Aos 32 anos, eu já havia perdido trinta quilos, confesso que fiz tudo errado e nem quero compartilhar meus regimes aqui, mas afirmo que não somos como as modelos das revistas que perdem dezenas de quilos e aparecem com o corpo como se nunca tivessem sido obesas. Isso é photoshop!!!

A pele que estica muito não voltará a ser como antes, eu mesmo fiz uma cirurgia para retirar a pele da barriga, mas não fiz no restante do corpo, e mesmo que fizesse ele não voltaria a ser dentro dos padrões da mídia.

Essa cirurgia não foi por não me aceitar, foi um presente para mim e melhorou muito a minha autoestima, me sinto bem melhor, com mais bem-estar e afins. Mas ainda é difícil de encontrar calças no meu número, geralmente, as medidas básicas são para bonecas, eu acho! E as maiores, tipo plus size ficam gigantes em mim, é como se não houvessem roupas para meu corpo. Mesmo assim já é muito mais fácil do que quando eu pesava 90 quilos.




Concluindo, o que foi mais importante para mim nesta experiência que vivi, foi que o excesso de comida que me mantinha acima do peso, me causava muito mal-estar, cansaço, estresse, dificuldades sociais, e mais um kit todo de tortura. E tudo isso era o reflexo dos meus inúmeros transtornos emocionais, não tinha nada de bonito nisso.


Percebi bem aquela frase: “Você é o que você come!” Por isso busco não comer coisas vazias e apenas pelo seu sabor. Há pessoas que dirão: “— O importante é aproveitar a vida! Nem sei se vou estar vivo amanhã!” Mas para mim, viver com todo aquele mal-estar, cansaço, irritabilidade e sendo refém da comida, não tem nada à ver com curtir a vida!



E se você conhece alguém compulsivo alimentar, por favor, não o agrade com comida, pois ele irá aceitar e isso o prejudicará! A compulsão alimentar é como qualquer outro vício! Você não poderá dizer para um ex-alcoólatra para beber socialmente e que só uma dose não faz mal. Essa uma dose poderá ser a ruína de todo um tratamento.

Bom, não pretendo causar polêmica, nem desrespeitar quem pensa diferente, mas senti em dizer isso, pois vi muitas influencers divulgando a aceitação do corpo sem citar as questões de saúde e bem-estar que isso pode envolver.

Aqui falei sobre a obesidade, pois faz parte da minha vivência, mas pode servir para tudo na vida.

E a sugestão que fica é: Busquem o autoconhecimento e seus motivos profundos de ser quem é e como é! Você está feliz, com bem-estar e saudável assim? Se a resposta é sim você está no caminho certo!

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